Postou o indicador no lábio e
- Shhhhh.
Fiz que não ouvi e continuei a discorrer sobre o mal que ela me faz
O mal que ela me faz
O mal mesmo
Que ela costuma
Me fazer
Quando virei-me, tão certo do entendimento, não existia mais a franja de lado, nem a famigerada pintinha no ombro. Eclipsou-se na multidão, a maldita. Fingi então, mais uma vez, não perceber o espaço vazio e, determinado, continuei.
- Shhhhh!
Fez a multidão, assertiva. Rejeitaram-me os ônibus e os taxistas. Decidi voltar mesmo a pé. Duas quadras depois
- Uma lágrima se equilibra entre minha pálpebra e o meu peito!
Shhhh! Fez o mundo.


