Posts de Junho, 2007

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Onomatopéia

19 Junho, 2007

Postou o indicador no lábio e

- Shhhhh.

Fiz que não ouvi e continuei a discorrer sobre o mal que ela me faz

O mal que ela me faz

O mal mesmo

Que ela costuma

Me fazer

Quando virei-me, tão certo do entendimento, não existia mais a franja de lado, nem a famigerada pintinha no ombro. Eclipsou-se na multidão, a maldita. Fingi então, mais uma vez, não perceber o espaço vazio e, determinado, continuei.

- Shhhhh!

Fez a multidão, assertiva. Rejeitaram-me os ônibus e os taxistas. Decidi voltar mesmo a pé. Duas quadras depois

- Uma lágrima se equilibra entre minha pálpebra e o meu peito!

Shhhh! Fez o mundo.

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A Letra Preta

18 Junho, 2007

Fui juntando um monte de palavras bonitas, e as colocando de forma ordenada, lado a lado. Elas criavam sentido e provocavam certa admiração.  João aplaudiu. Ana admirou-se. Joaquim amava-me. Mas apenas na medida que os parágrafos  desenrolavam-se a sua frente.

Palavras bonitas são sórdidas e viciantes. Precisamos nos livrar delas, pois ficam a velar por si mesmas e esquecem-se que o sentido honesto e verdadeiro às vezes precisa chafurdar, se exibir, se despir. É necessária a palavra falsa, o cacoete, a palavra manca, dura.

Todo o enlevo que a beleza provoca e o lugar confortável que nos deixamos ficar vão lentamente matando a honestidade da coisa toda. O farfalhar está lá, a hipnose está lá, mas some, no meio do rodopio, a autoridade da voz daquele que escreve. E surge apenas mais um escravo.

Por isso optei por escrever sujo. Escrever feio - jogar as palavras, ventá-las, soprá-las. As prefiro desordeiras e desordenadas, os prefiro anacolutos!, os barbarismos! E também todos os seus pares: os prefiro assim como quem ama a boca dela, quem se deleita com a letra preta.

João está a olhar estrelas. Ana volta-se plácida. Joaquim perdeu-se.

E eu aqui estou.

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Teste 1

18 Junho, 2007

Teste 1