Rachado solo, esfarela
Seca grande
Queima planta, plantação
No vão do meu peito sólido
A terra quente agüenta
O tempo também quente
Que me contam ser verão
Rasga o céu um dia azul
Um estouro de retina
Luz fotometrada
Para aridez completa
De um peito sem água
Por você eu mudo de estado
Antiga e calma pedra
Para leito sem controle
De margens amolecidas
E de lama fértil
Quem nesse dia
Ou nesta mesma situação
Não pediu chuva, alagamento
Sermão ou prece?
Tempestade que lave
Este pó
Esta poeira
Quem nunca clamou?
Neste corpo pequeno
Amalgama de amor e chão
Uma luta se desenrola, épica
Onde uma veia de tradição
Ou uma linhagem velha
Decidem
Para onde vai o sangue
Em que artéria de vida
Corre o meu lugar.
Por você eu mudo de estado
Do meu canal seco
Ao lençol mais profundo
Aceito ser rio
Mesmo sem correr para o mar
