
Coração de Gengibre
18 janeiro, 2010Trecho da sinopse e do primeiro diálogo de Coração de Gengibre, meu novo roteiro.
L.M é um poeta nunca publicado que vive de pequenos bicos e vive nos arredores da Rua Augusta.
Indie é uma stripper obesa que faz shows burlescos para um público muito seleto.
Voluptua: é o inferninho fetichista onde Indie dá seu expediente.
SINOPSE: O poeta L.M espera pelo telefonema que finalmente confirmará a publicação de seu livro e o alçará da condição de biscateiro bissexto a real e consistente gênio da literatura. Para aplacar a ansiedade e a solidão deste momento, ele vaga pelas ruas bebendo e repassando mentalmente seus fracassos, quando abre a porta que o levará ao Voluptua, inferninho dedicado a fetiches em geral. Lá encontra a obesa stripper Indie, que na sua sabedoria filosófica de botequim, lagarteia ao redor L.M, desvelando o seu desgosto com o mundo e com a humanidade.
Indie desce do mastro e senta ao lado de L.M.
Indie: Então teu nome é L.M?
L.M: Meu nome não é L.M, mas todo mundo me chama assim, entendeu?
Indie: E quando vc escreve teus livrinhos de poesia, tu assina L.M?
L.M: Eu não assino nada ainda por que ainda não publiquei nada. Mas quando publicarem vou assinar L.M Fonseca. Acho bom.
Indie: L.M Fonseca é nome de pobre. Aliás, L.M é nome de pobre. Cigarrinho vagabundo…
Indie acende um cigarro.
L.M: Vagabundo na tua terra. Conheço muita gente boa que fuma LM. Gente fina, gente com grana. Gente com emprego, conta no banco e o caralho.
Indie: Tem gosto pra tudo nesse mundo… Mas por exemplo, Carlton é muito mais bonito. Parece nome de filme, o Carlton vai salvar o mundo, trepar com a mocinha magrinha numa praia deserta, ganhar o milhão…