
Coelho
11 agosto, 2010E no momento derradeiro, o coelho. Assim encerraria sua bem sucedida apresentação, afinal, fitas infinitas, moedas insuspeitas, e assistentes desaparecidas são apenas o preâmbulo excitante para que, finalmente, branco e assustadiço, o animal saia da cartola.
Era a última festa do dia, e após o magnífico encerramento, com direito a aplausos infantis, ele poderia voltar ao seu pequeno apartamento e exercitar a mágica pura e verdadeira, a alquimia boa. O coelho mastigaria tristemente seu pé de alface, e ele, logicamente ele, tentaria levitar, ou zapear, ou coisa parecida, depois de pedir pelo telefone uma pizza fria e amarela. E para concretizar essa felicidade, enfiou a mão na cartola:
Sentiu nos dedos a carapaça dura e oca. No lugar de longas orelhas algodoadas, um cone pontiagudo, desafiador. Puxou. Um urro. Puxou novamente. Nada se movia. Puxou então com força – um chifre se pronunciou. Sentado no chão, o mágico, com ajuda dos pés e da assistente de maiô, arrancava da cartola uma besta cinzenta de olhos bovinos. E no palco do buffet infantil, em meio a palhaços resignados e pais bebados de cerveja quente, o rinoceronte.
- Infelizmente, não poderemos pagá-lo. Nosso contrato era claro quanto a coelhos. Não existindo coelho, não há cachê.
Deu de ombros. Amarrou no pescoço do rinoceronte sua gravata de mágico e na noite fria, por uma avenida movimentada, pôs-se a caminhar para casa, arrastando a criatura. Naquela madrugada, remoeu não ter praticado mais vezes os números que compunham aquele espetáculo.
Sinceramente, não sei do que gostaria mais…
ser uma das crianças da festa, que precenciaria a “baita” surpresa de ver um rinoceronte, ser parido de dentro de uma pequena cartola!!Quantas histórias para ser contadas na aula de segunda.
Ou ser um dos pais mais ou menos bêbados, que iria para casa, achando que havia algo de estranho, na bebida pois confundira, o coelho do mágico com um rinocerente…que viagem!!
Ou ser o patrocinador da festa…pois certamente faria bom uso da supresa, a verdadeira mágica.
As histórias são para isso…para gente viajar. Viajeiiii
bjs Mã
Desculpe a presença com “c”, mais foi culpa da cerveja quente…
bjs de novo
Por que você nunca me deu o contato desse mágico pras minhas festas? Quem deixou você esconder isso só pra si, agora quero que ponha todos os fantásticos pra fora, agora agora!
Oi Renata. Adorei a história. Boa surpresa, depois de tanto tempo ausente por essas bandas.
Não sei porque, mas por algum motivo vim parar aqui a ler os seus textos (na verdade sei sim, ia pesquisar Mundo Estranho – A revista na internet, fui parar no seu antigo blog, enfim auauhauhau), mas cá estou agora.
Não sei explicar ao certo (agora de fato não sei mesmo), mas senti um profundo friozinho na barriga ao começar a ler seus posts. Me vi ali, como se eu mesmo estivesse escrito as coisas que eu lia. Mergulhei num universo, como se eu mesmo fosse o autor de tais façanhas ou que todas esses pensamentos por vezes aleatórios, tivessem saído de minha cabeça.
Muito bom o blog, parabéns.