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POR VOCÊ EU MUDO DE ESTADO

14 Outubro, 2008

Rachado solo, esfarela
Seca grande
Queima planta, plantação
No vão do meu peito sólido
A terra quente agüenta
O tempo também quente
Que me contam ser verão

Rasga o céu um dia azul
Um estouro de retina
Luz fotometrada
Para aridez completa
De um peito sem água

Por você eu mudo de estado
Antiga e calma pedra
Para leito sem controle
De margens amolecidas
E de lama fértil

Quem nesse dia
Ou nesta mesma situação
Não pediu chuva, alagamento
Sermão ou prece?
Tempestade que lave
Este pó
Esta poeira
Quem nunca clamou?

Neste corpo pequeno
Amalgama de amor e chão

Uma luta se desenrola, épica
Onde uma veia de tradição
Ou uma linhagem velha
Decidem
Para onde vai o sangue
Em que artéria de vida
Corre o meu lugar.

Por você eu mudo de estado
Do meu canal seco
Ao lençol mais profundo
Aceito ser rio
Mesmo sem correr para o mar

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A Praticidade de Danielle Vidigal

17 Agosto, 2007

Danielle e a tattoo nova! diz:é bizarro

Renata Corrêa diz:cara, meu cabelo se rebelou de tal forma essa manhã.

Renata Corrêa diz:tem grampos em mim.

Renata Corrêa diz:inteira

Danielle e a tattoo nova! diz:é pq vc ainda não acostumou com ele

Renata Corrêa diz:não, cara, vc não tem idéia, ele tá inteiro bom, mas um penacho surgium impávido na minha testa.

Danielle e a tattoo nova! diz:isso que dá usar franja, mas vc tem que arrumar, então. molha, ora!

Renata Corrêa diz:não, cara, vc não tá entendendo, não faz parte da franja. é como uma crista que sai de trás e vem para frente fazendo um obelisco na minha testa.

Renata Corrêa diz:só vendo pra crer.

Danielle e a tattoo nova! diz:molhe, porra

Danielle e a tattoo nova! diz:molha e põe pra baixo

Renata Corrêa diz:molhei. passei trim. é uma revolta bíblica. não deu jeito. grampeei.

Renata Corrêa diz: pus grampos.Danielle e a tattoo nova! diz:agua resolve até cabelo duro

Danielle e a tattoo nova! diz:pq não vai resolver o teu?

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A Letra Preta

18 Junho, 2007

Fui juntando um monte de palavras bonitas, e as colocando de forma ordenada, lado a lado. Elas criavam sentido e provocavam certa admiração.  João aplaudiu. Ana admirou-se. Joaquim amava-me. Mas apenas na medida que os parágrafos  desenrolavam-se a sua frente.

Palavras bonitas são sórdidas e viciantes. Precisamos nos livrar delas, pois ficam a velar por si mesmas e esquecem-se que o sentido honesto e verdadeiro às vezes precisa chafurdar, se exibir, se despir. É necessária a palavra falsa, o cacoete, a palavra manca, dura.

Todo o enlevo que a beleza provoca e o lugar confortável que nos deixamos ficar vão lentamente matando a honestidade da coisa toda. O farfalhar está lá, a hipnose está lá, mas some, no meio do rodopio, a autoridade da voz daquele que escreve. E surge apenas mais um escravo.

Por isso optei por escrever sujo. Escrever feio - jogar as palavras, ventá-las, soprá-las. As prefiro desordeiras e desordenadas, os prefiro anacolutos!, os barbarismos! E também todos os seus pares: os prefiro assim como quem ama a boca dela, quem se deleita com a letra preta.

João está a olhar estrelas. Ana volta-se plácida. Joaquim perdeu-se.

E eu aqui estou.

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Teste 1

18 Junho, 2007

Teste 1